O relatório de sondagem apontou nível d'água acima da cota das estacas. A partir dessa linha do relatório, metade das soluções de fundação sai da mesa e a conversa muda de assunto. Água no subsolo não é impedimento para construir, é um dado que define o método, o equipamento e, quase sempre, o orçamento. Veja o que funciona e o que não funciona nesse cenário.
Por que a água muda tudo
Fundações que dependem de manter o furo aberto e seco entre a perfuração e a concretagem perdem confiabilidade quando há lençol freático no trecho. O furo tende a instabilizar, a água interfere na concretagem e o fuste da estaca deixa de ter a qualidade que o projeto assumiu. Nesse contexto, a solução técnica precisa manter o solo suportado durante toda a execução.
Para fundar: hélice contínua monitorada
É a resposta padrão para carga alta e presença de água. O trado helicoidal contínuo penetra o solo em rotação e, na extração, o concreto é bombeado pela haste central preenchendo o furo sem interrupção. O solo nunca fica desamparado, e por isso a execução abaixo do nível d'água é possível.
Vem com dois ganhos que pesam em obra estrutural. O primeiro é a capacidade de carga elevada. O segundo é o monitoramento: um computador de bordo registra torque, profundidade, pressão e volume de concreto de cada estaca e gera o relatório de execução, que é a prova documental de que a fundação foi executada conforme o projeto. Detalhes na página de hélice contínua monitorada.
Para fundar em espaço reduzido: mini hélice contínua
Quando o terreno é estreito, a obra é uma reforma ou o acesso não comporta equipamento de grande porte, a mini hélice contínua mantém a mesma tecnologia em máquina compacta, com diâmetros típicos de 25 a 50 cm e profundidade de até cerca de 16 m. Também executa muito próximo à divisa, o que costuma ser exatamente o caso das obras urbanas em solo com água.
Para conter a escavação: estacas secantes
Fundar é só metade do problema. Se a obra tem subsolo, alguém precisa segurar o terreno e barrar a água durante a escavação. As estacas secantes resolvem os dois: as estacas primárias e secundárias se interseccionam e formam uma parede contínua, sem juntas abertas, que impede a percolação do lençol freático.
Dispensam a lama bentonítica, o que torna o canteiro mais limpo.
Mobilizam menos equipamentos que a parede diafragma e permitem trechos em curva.
São executadas a seco, com um único equipamento, em comprimentos comumente aplicados até cerca de 18 m.
O que não indicamos nesse cenário
A estaca escavada convencional é uma excelente solução em solo estável e seco, e continua sendo a mais econômica quando o terreno permite. Com lençol freático no trecho da estaca, ela deixa de ser adequada, e o mesmo vale para a execução com perfuratriz sobre retroescavadeira. Economizar aqui é trocar custo de execução por risco estrutural.
Como confirmar o cenário da sua obra
Quem informa a posição do nível d'água é o relatório de sondagem de solo. Ele mostra em que profundidade a água aparece e como as camadas se comportam até a cota de projeto. Com esse documento em mãos, a escolha entre as opções acima deixa de ser preferência e vira cálculo.
Tem sondagem pronta? Envie para a nossa equipe técnica. Analisamos o perfil, indicamos a solução adequada para fundação e para contenção e devolvemos o orçamento com o método definido.
Atualizado em